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thiagolb - My Blog
Um fantasma ronda o Brasil?
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As recentes tentativas de se organizar manifestações em Brasília a favor da descriminalização da maconha têm esbarrado em impedimentos. Depois de ter sido proibida pela Justiça, será objeto de discussão no Supremo Tribunal Federal, que decidirá sobre a legalidade das manifestações.
A decisão de se discutir a legalidade de uma manifestação como essa se justifica pelo preconceito. O comércio de maconha é proibido no Brasil (e este é o tema das manifestações), mas a liberdade de expressão é garantida pela Lei brasileira. Porém, a mente conservadora, temerosa da desagregação dos costumes, associa a liberdade de expressão de ideias subversivas ao incentivo do crime e do pecado.
Talvez tenha havido bons motivos para a proibição da manifestação (talvez não), mas eles não ficaram claros. A suspeita de que os efeitos da manifestação são prejudiciais à sociedade se sobrepôs à investigação, e o que mais interessa, que é a discussão sobre o tema, fica adiado indefinidamente. Nem sabemos se a manifestação incentiva o tráfico nem temos ideia sobre se a legalização da maconha realmente criará um problema de dependência maior do que o (pouco) que já existe.
A censura e o cerceamento da democracia têm transformado a cena política brasileira numa luta em que a liberdade segue perdendo feio. A reação conservadora a uma inofensiva manifestação que só demanda uma mudança na legislação (que equivale, por exemplo, a uma manifestação de cidadãos que exigem a legalização do sufrágio universal ou o fim da escravidão) está em consonância com a recente vitória da corrente evangélica que forçou o veto de uma política educacional para combater a homofobia.
Também está relacionada à conivência com crimes ambientais, grande risco a ser corrido com o Código Florestal e com a insistência em construir uma barragem na bacia amazônica, cuja existência significaria a ruína de milhares de indígenas e ribeirinhos.
Infelizmente, o governo que, por princípios, deveria agir no sentido da democratização da sociedade brasileira vem decepcionando os eleitores que precisam de direitos ainda não contemplados. Um Código Florestal que pode punir agricultores pobres, a morosidade no avanço de políticas de combate aos preconceitos e a repressão da liberdade de expressão mostram que a “erradicação da pobreza” terá que esperar até que o governo Dilma pague suas dívidas com os poderes que a ajudaram a vestir a faixa verde-loura.
O “temor” da oposição de que a dinastia Lula/Dilma venha a instaurar uma ditadura no Brasil começa a se justificar. Ironicamente, essa possível ditadura tem mais a ver com os anseios dessa mesma oposição, especialmente de sua ala ultraconservadora, do que com as maracutaias megalomaníacas dos “companheiros”.
Ilustração:
Imagem do filme 1984 (1984), dirigido por Michael Redford, inspirado no livro homônimo de George Orwell.

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Chico Mota
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Francisco Fernandes da Mota foi um poeta, violeiro, repentista e cordelista paraibano que se tornou célebre no Seridó potiguar, especialmente em Caicó, onde viveu a maior parte de sua vida. Nasceu aos 23 de outubro de 1924, filho de Henrique Ferreira da Motta e Maria Elvira Fernandes, na Fazenda Dinamarca, município de Catolé do Rocha, Paraíba. Começou a trabalhar na agricultura aos 10 anos de idade e viveu na zona rural até 1963.
Em 1949, deu início à profissão de violeiro. Em 1955, na cidade de São Bento (PB), casou-se com Hermínia Joaquina Alves, com quem vive até hoje e que lhe deu uma prole de 10 filhos. Em 1º de maio de 1963, criou, juntamente com o violeiro-repentista José Soares Sobrinho (in memoriam), o programa de rádio Violeiros do Seridó.
Em sua trajetória como poeta, é autor de vários cordéis e publicou 4 livros:
- Veredas Nordestinas,
- Trovas etc. (contos),
- Violas e Cantadores e
- A Saga de um Bandoleiro no Oeste Potiguar.
Gravou 5 CDs, sendo 4 em parceria com outros cantadores.
Foi sócio efetivo do Clube dos Trovadores do Seridó/CTS, ocupando a cadeira número 9, que tem como patrono Júlio César da Câmara. Foi membro da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte – ATRM, ocupante da cadeira número 38, cujo patrono é o acadêmico José Gotardo Emerenciano Neto.
Faleceu no dia 5 de junho de 2011.
A repercussão de seu falecimento foi sentida na homenagem prestada pela Rádio Rural. No horário matutino, em que ele costumava cantar diariamente, violeiros compuseram versos com o mote “A viola nordestina / Mais uma vez enlutada.” Na missa de seu sepultamento, vários colegas poetas entoaram em temas de sete linhas. A Casa da Cultura de Caicó será rebatizada com seu nome.
In memoriam
Inês falava tanto sobre o pai que eu gostava muito dele, mais pelo que ela dizia do que pelo pouco contato que tive com ele. Era um homem alegre e inteligente, que amava a vida e, aos 86 anos de idade, não dispensava uma caminhada diária e o contato com os amigos. Gostaria de ter conhecido melhor meu sogro, ter conversado com ele sobre literatura e história. Ele está em outra dimensão agora, e provavelmente o encontrarei por aí. Ficam meus pensamentos positivos para que ele continue sua caminhada evolutiva pela eternidade.

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Babies – Resenha
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Babies (2010), filme dirigido por Thomas Balmès, é um documentário que testemunha, sem narração, o 1º ano de vida de quatro pequenos seres humanos, cada um de uma parte distinta da Terra. Ponijao é um menino namibiano, Mari é uma menina japonesa, Bayar é um menino mongólico e Hattie é uma menina norte-americana.
Acompanhamos diversos momentos da vida das pequenas crianças, desde o nascimento, passando pelas primeiras palavras até os primeiros passos. Os quatro bebês comovem o espectador, como é comum com adultos contemplando infantes dessa tamanho e idade. O cineasta escolhe momentos pitorescos e os encaixa com cenas que mostram especificidades culturais, de hábitos e costumes.

Título: Babies
Diretor: Thomas Balmès
País: França
Ano: 2010
A câmera do europeu adulto
A presença dos pais e de outros coadjuvantes é sempre notada, mas os ângulos das câmeras privilegiam a ação dos pequeninos em sua aventura de descoberta do mundo. Essa abordagem nos aproxima da experiência dos bebês e da vivência dos cuidados dos pais.
Como o filme é dirigido por um ocidental, percebe-se que o documentário tem um viés voltado para o registro da alteridade. Dessa forma, a pequena Hattie tem pouco destaque, enquanto Ponijao e Bayar parecem brilhar mais. Isso parece ter a ver com o fato de serem os mais “estranhos” para a câmera de Balmès, com costumes e ambientes mais exóticos para os olhos de um europeu.
Entretanto, pode ser que essa tenha sido a minha impressão enquanto compartilhando, ou seja, a vida da bebê norte-americana não era muita novidade para mim, acostumado com hábitos um pouco parecidos na sociedade em que vivo e conhecendo um pouco da vida norte-americana através da mídia.
Diferenças e semelhanças
As situações díspares a que assistimos durante o filme nos mostram a diversidade de condições em que os seres humanos podem se criar e viver, sem deixar de se constituírem como plenas criaturas da mesma espécie.
Se, por um lado, ao bebê namibiano é permitido engatinhar na terra nua e brincar com ossos de animais, por outro, a menina norte-americana é cercada de cuidadosa obsessão com a higiene esterilizadora. Os ambientes em que vivem, respectivamente, Bayar e Mari são bem diferentes também. O menino mongólico está o tempo todo rodeado de animais domésticos e em constante contato com bois, cabras, gatos e galinhas, enquanto o cenário em que vive a japonesinha é completamente urbano (os únicos animais, além do gato doméstico, com que tem contato estão atrás das janelas de vidro do zoológico).
De modo geral, a obra nos mostra quão semelhantes são os seres humanos, independentemente da cultura e das superficiais características físicas. Vemos todos os bebês rindo, chorando e com medo. Cada um deles busca com curiosidade conhecer o mundo ao seu redor, os objetos e os animais. Cada um, em seu tempo, aprende a balbuciar e imitar a fala dos adultos. Todos eles experimentam os primeiros passos e as primeiras quedas.
Ao mesmo tempo, vemos como são diversas as culturas humanas. As mães e pais têm técnicas e modos diferentes de lidar com os mesmos problemas. A mãe namibiana limpa os olhos de seu bebê com a língua, enquanto a mãe mongólica lava os do seu com o leite do próprio seio. As diferenças entre o ambiente urbano (Japão e EUA) o rural (Mongólia e Namíbia) implica em uma socialização diferente também. Na cidade, o contato familiar quase se restringe ao convívio com os pais (os dois bebês urbanos são filhos únicos) e com adultos que fazem parte do círculo de amizades dos pais ou de grupos dos quais estes participam. Já as crianças do mundo rural têm relação mais próxima com a família extensa, irmãos, primos, tios e avós.
Desde muito cedo em sua vida, o ser humano está rodeado de estímulos, imerso nos hábitos e costumes dos adultos. Isso nos ajuda a perceber o processo pelo qual uma cultura fica tão entranhada no indivíduo, acostumado com os padrões de comportamento que presencia e replicador desse mesmo modo de viver e ver o mundo.
Mas ficamos com o registro de quatro mundos diferentes, sem comunicação entre si. Embora tenha sido uma proposta válida em si mesma, seria muito interessante que Balmès, talvez posteriormente, promovesse um encontro com os quatro pequenos astros e enriquecesse a experiência, mostrando a estranheza que cada um demonstraria diante de seus companheiros de enredo.
Links
Trailer

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Evolução estática
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Desde que as teorias sobre a evolução biológica do Homo sapiens começaram a ser elaboradas, tornaram-se comuns os esquemas gráficos que representam os diversos estágios que vão desde os primatas que deram origem aos hominídeos modernos até o ser humano como o conhecemos nos dias de hoje.
A Ciência se guia pelo ideal da objetividade, embora reconheça que a limitação dos sentidos humanos tenha que ser relevada e implique sempre na aproximação da realidade e não em sua pura apreensão. Os valores e pré-noções culturais também marcam a forma como construímos o conhecimento científico. Os esquemas evolutivos humanos são exemplos de como as representações do mundo restringem o alcance das representações científicas.
Os esquemas evolutivos do ser humano normalmente mostram o ápice da escala como um homem branco. Daí já tiramos, pela simples pinlagem de duas palavras significativas, que a maioria dos desenhos que representam a genealogia da espécie humana está pintada por um ideal androcêntrico e eurocêntrico. Vejamos o gráfico abaixo.
 Escala evolutiva representando, em ordem cronológica, as seguintes espécies: Proconsul sp., Australopithecus afarensis, Homo habilis, Homo erectus, Homo neanderthalensis e Homo sapiens
Esta é uma das inúmeras representações científicas que se podem encontrar e que servem para nos dar uma ideia aproximada de como um primata peludo se tornou um antropoide pelado. Mas quase todos esses esquemas culminam num homem branco, de traços europeus. Isso se justifica em parte pela tradição científica, que herdou diversos esquemas de pensamento do Iluminismo europeu. Os europeus fizeram os primeiros esboços desses esquemas e, portanto, desenharam a si mesmos ali.
Essa justificativa dá ao suposto (por mim) racismo/etnocentrismo dessas representações uma origem relativamente inofensiva. Porém, a ideia evolucionista moderna de que a civilização europeia representa o auge da realização humana não deixa de aparecer implícita nessa escala, principalmente se nos lembrarmos de tantas teorias do chamado “racismo científico”, que infelizmente ainda têm muitos adeptos (que muitas vezes nem se dão conta de que o são).
Nesse racismo que permeia nossas mentes, que vê, por exemplo, os negros africanos como pertencentes a um estágio anterior ao dos brancos europeus, surgem piadas absurdas como a que se segue:

 Imagem de uma publicação "científica" do século XIX, que sugeria que os negros são o elo evolutivo entre os brancos e os macacos
Esse gráfico, encontrado alhures na internet, mostra bem a ideia que expus acima. Os africanos são vistos como menos evoluídos do que os europeus, do que os norte-americanos e do que os asiáticos. São ainda hoje apelidados, em muitos contextos, de “macacos”. A pilhéria acima, curiosamente, evoca certas ilustrações do século XIX, que representavam o racismo científico da época (como o desenho ao lado).
Links

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| March 30, 2011 | 10:03 AM |
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Matrix
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Meu nome é Morpheus. Alguns insistem em fazer analogias associando meu nome à figura do pregador João Batista, mas isso não tem o menor fundamento, acreditem. A nave na qual viajo se chama Nabucodonosor, porque certa vez sonhei com a destruição de Jerusalém, embora até hoje não saiba o que isso quer dizer. O onirismo às vezes nos prega dessas peças.
Venho em missão secreta, do centro quente da terra de Sião, a última cidade dos seres livres. Sou o visionário que lutará para libertar a humanidade do domínio das máquinas. Embora plasmado em imagem masculina, advirto que sou mulher mesmo e só usei a indumentária na película porque estava vindo de uma dessas modernas e ridículas festas temáticas para adultos.

Metaforicamente sou o componente yang da psique… putz, yin, deixa de novela e segura a droga desse microfone!… Continuando, sinto informar que não surtiu o efeito esperado tapar o sol com a peneira. Vocês esqueceram a velha máxima? Por que os algozes usariam a energia solar se podiam recorrer à fonte dos próprios humanos, mais abundante e barata?
Repudio a ideia de ver vossas mentes conectadas em Realidade Virtual e abomino esses campos de cultivo, em que casulos aprisionam vossos corpos para alimentar as insaciáveis máquinas. Gostaria que soubessem o quão lamento vê-los manipulados, customizados no brechó da esquina e deslumbrados com as reprises das novelas globais “O Clone”e “Ti Ti Ti”.
Agora, as máquinas evoluídas pela AI reinam absolutas sob o comando do Agente Smith, especialmente programado para manter a ordem dentro do sistema e pronto a exterminar humanos e programas instáveis na realidade simulada. Elas querem vossas energias, vossos votos para reeleger Dilma daqui a quatro anos, vossos incondicionais apoios à CPMFs1, vossas certidões de idade, vossos cartões de crédito, vossas mãos em casamento e muito mais. Por isso, insisto, está na hora de fugir da caverna do senso comum e superar a ignorância rumo à filosofia. As dúvidas de como vencer essa árdua jornada poderão ser encaminhas ao site do Platão, aberto 24 horas por dias, inclusive nos fins de semana.
Entretanto, nem tudo está perdido, pois vislumbro um ser dentre vós, o Escolhido, capaz de controlar e derrotar os mecanismos antivírus da poderosa Matrix. Seria Anderson, o filho de André, o Hacker filho do homem, o ego psicologicamente representado, o neo Neo com excelentes e comprovados reflexos para apanhar sabonete no banheiro e messianicamente ressuscitado na sala 303 após beijo caloroso de Trinity?
Para verificar a identidade do Escolhido é preciso consultar o Oráculo – uma senhora casada com um carpinteiro de nome José – que sabiamente assertou “A nossa escolha é a repetição das nossas escolhas”. Por vezes ela aparece disfarçada de vendedora de hambúrguer2 no McDonald’s e pode-se identificá-la facilmente pela canção “I’m Beginning to See the Light” (‘Estou Começando a Ver a Luz’), de Duke Ellington, que ela costuma entoar ouvindo o seu radinho de pilha ABC. Mas todo Oráculo que se preza tem a proteção do seu Cérbero de guarda ou espírito superior e assim Neo será testado e enfrentado por Seraph antes de este o conduzir até ela. E não se enganem. Pode ser um contrassenso, mas Neo estaria perdido sem esse amparo, ainda que o Oráculo não forneça respostas, só escolhas. Eu mesmo, Morpheus, quando Neo ingeriu a pílula vermelha que o deixou na maior lombra à la “Lucy in the Sky with Diamonds”, já havia alertado: “ Esse home precisa entender que estou tentando libertar sua mente. Mas eu só posso mostrar a porta. E esse home é que tem que decidir se quer atravessá-la ou não.” Basta ver que o Kafka já sabia sobre o poder das escolhas, do livre-arbítrio, tanto que a sua porta da justiça permaneceu fechada diante do homem que não ousou enfrentar as adversidades que o adentrar reservava. E sabe-se que a passagem estava ali exclusivamente para ele.
E tem mais. Toda cautela é pouca com Cypher. Ainda que seu nome lembre Lúcifer – ele está mais pra Judas do que para anjo caído. É a encarnação do mal, a traição, o retrocesso total do eu e defende a ilusão como mais interessante do que a realidade ou “olhos que não veem, coração que não sente”. Costuma recorrer a citações do Mecanismo de Defesa do Ego (MDE), sem os devidos créditos e sem pagar pelos direitos autorais.
Por outro lado, Trinity, o aspecto yin da psique, pode ajudar muito. A não ser que yang, por sua personalidade possessiva e ciumenta, não o permita. Trinity é o apoio físico e espiritual ao Escolhido, a trindade que se resume em 4: pai, filho, espírito santo e assim seja. Recomendo tratá-la com o maior recato e prudência. Chamá-la inadvertidamente de Madalena seria um erro crasso que a deixaria puta para o resto da vida.

Assim, o Escolhido deverá seguir os coelhos brancos mutantes que aterrorizam rancheiros do Arizona, além de dominar o conhecimento sobre o alfabeto japonês ao contrário, a fim de desvendar os seguintes enigmas:
- Por que aqueles Cavaleiros continuam dizendo “Niilismo”?
- Por que Lula deixou de usar o famigerado “Companheiros”?
- Por que a Capitania Hereditária do Maranhão não foi extinta junto com os dinossauros?
- Por que herbívoros como a cabra, o cavalo, a vaca e o elefante, com dietas similares, apresentam excremento sólidos de formato e volume tão distintos?

A seguir, serão fornecidas algumas pistas elucidativas, pelo reconhecimento aos esforços de centenas e centenas de pessoas que visitarão este blog na tentativa de decifrar o enigmático enigma, e cujos comentários não serão verbalizados aqui devido a problemas técnicos verificados na transmissão de dados da nave-mãe à nave-filha, que se encontrará deslumbrada com as babaquices do Big Brother. Assim, as informações poderão ser repassadas ao Enviado, por mensagens através do Twitter, do Facebook, do Orkut, do Badoo, do MySpace, do Hi5, Windows Live, Netlog e outras tantas redes sociais:
- Os Cavaleiros do Monty Python permanecerão dizendo Ni e pedindo um shrubbery na Amazônia. Pode parecer absurdamente nonsense esmolar um shrubbery numa floresta tão majestosa, mas da maneira como anda o desmatamento, nem o carrinho que anuncia “vendo arbustos” vai salvar a trupe dos míticos cavaleiros. E, ainda que este planeta se vá pelas mãos do homem ou pelas motoserras nas mãos do homem – os satélites e as ondas magnéticas das TVs a cabo ou não já providenciaram a disseminação eterna dos Nis pelo Cosmos. Os legendários Cavaleiros querendo ou não.
- Quanto aos excrementos dos herbívoros ruminantes, é tudo muito óbvio e o quesito figurou aqui apenas para encher linguiça, atendendo às exigências tirânicas do 1º titular deste blog, que não permite posts sucintos. Ora, a aparência e o volume do produto final não estão diretamente atrelados ao tipo de matéria-prima que entra e sim aos meandros internos de circulação e às dimensões do espaço por onde sai. Assim sendo, está clara a razão pela qual um pobre cabrito não poderia defecar qual um cavalo. Por sua vez, o elefante, por motivos idênticos e dado o seu porte magnífico, se evacuasse tal qual um cabrito, seria ridicularizado na selva, e o leão do imposto de renda, um felídeo bastante feroz, impiedoso, e oportunista, o emboscaria e o comeria rapidinho, bem antes de a pequena empresa completar o seu primeiro ano de atividade, embora o rei barbudo da selva esteja pouco se lixando para isso. Certa vez, ao ser indagado por agentes de terno preto e óculos escuros sobre esta intrigante questão do formato dos sólidos escatológicos dos bichos herbívoros, ele, espantado, não deu explicações convincentes. Aí o bicho pegou. Os nativos correram pra cima dele com paus e pedras, tablets e smartphones. Como é que o rei da selva não sabia nada de absolutamente bosta nenhuma?
Mas águas passadas não movem moinhos, já diz o adágio. Portanto, não esqueçam de agir sem trapalhada, porque apelos ao estilo Tooter Turtle, “Mr. Wizard, me tire daqui”, não mais serão atendidos, porque já não haverá varinha de condão, o lagarto não possui mais poderes de teletransporte e nem poderá devolver o velho eu para quem se arrependa e queira ser feliz com o que era.
E nada de egoísmo. O que vale é a negação do indivíduo e a segurança da massa. Pelo fim da gripe suína que ninguém mais se lembra, pela melhoria do transporte público e pelo fim dos buracos nas ruas de Natal. Abaixo a prostituição infantil recém-descoberta pelo Fantástico, nas esquinas Wells Lake de Ponta Negra. Abaixo o modismo, o axé music e o forró de Fortaleza, o apego meterial, as ilusões e os vícios da vida. Abaixo o verde, viva o azul. Pelo fim do domínio das máquinas, pela sobrevivência da espécie humana!
Notas
- CPMF – A morta-viva. Seu fantasma ainda atormenta os cidadãos, ricos e pobres, desse Brasil brasileiro. Sua ressurreição pode ser iminente.
- Hambúrguer – Um alimento para suínos e canídeos, composto por 43.569 ingredientes, dentre eles as partes asquerosas – estômago e afins – de animais domésticos.

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